terça-feira, 27 de janeiro de 2015

VIVER PELA FÉ



06.2003
Jeferson Antonio Quimelli
Um dos versos mais significativos da Bíblia se encontra em Romanos 1:17: "...o justo viverá pela fé."
Ele marcou profundamente a teologia no seu caminho de retorno à fé bíblica.
Conta-se que foi este verso que iluminou Lutero para a reforma protestante, enquanto subia as escadarias do Vaticano, em penitência.
O mesmo verso, na BLH: "... viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus".
Se a fé é o meio pelo qual vivemos espiritualmente, o meio pelo qual somos aceitos por Deus é evidente ser importante o seu estudo e compreensão.
Como podemos viver pela fé?
O que significa viver pela fé?
Como ela modifica a nossa visão de mundo e nos permite viver espiritualmente em um mundo aonde as pessoas são tão materiais?
Vamos olhar para uma área aonde a fé é mais valorizada, porque envolve efeitos exteriores: orações por milagres.
FÉ E MILAGRES
Você já esteve em alguma situação em que foi muito difícil orar?
Talvez até mesmo não conseguiu?
Você já teve uma oração sincera sua não atendida, como se não tivesse sido feita?
Se você disse silenciosamente "sim", saiba que você não está sozinho.
Muita gente boa também teve dificuldades nesta área.
Posso até dizer que todos tivemos dificuldades nesta área.
Eu estava ouvindo um pastor amigo meu pregar e contar de sua decepção quando orou para um irmão de sua igreja que estava em estado grave na cama ser restaurado e 5 minutos depois ele estava morto (cirrose hepática).
O pastor Venden também conta que uma das mais difíceis circunstâncias em que esteve foi quando o chamaram ao leito de morte de alguém e se sentiu fortemente constrangido – pelos presentes e por si mesmo – a pegar na mão o doente e "em nome de Jesus" ordenar a ele que levantasse.
Esperou que alguém fizesse esta oração, mas ninguém fez.
E ele também não teve esta coragem.
Relata então que fez uma oração "padrão", dentro dos moldes já conhecidos e saiu daquele quarto se sentindo derrotado.
Nós temos a tendência, hoje em dia, de achar que o atendimento de uma oração depende somente da fé de quem ora. Ou seja, se a oração não é atendida, é porque a fé de quem pede é deficiente.
Por outro lado, às vezes temos até vergonha de demonstrar em público, principalmente aos céticos, que acreditamos em milagres. Como vemos falsos milagres todos os dias na TV, acabamos inconscientemente, muitas vezes, colocando os milagres, a atuação sobrenatural e visível de Deus para o cantinho das coisas vergonhosas, constrangedoras, não mencionáveis em público.
No livro "Fé que Opera", o autor descreve bem o primeiro ponto de vista: "Muitos de nós temos tidos a opinião de que o fator que determina se uma pessoa será ou não curada está quase que inteiramente na fé daquele que faz o pedido. Temos achado que se um pedido de cura não é atendido, com toda a probabilidade a fé do intercessor é um tanto deficiente".
Um dos fatores que nos faz sentir assim é que está relatado que Jesus falou a alguns doentes que se eles tivessem fé, poderiam ser curados. Como podemos entender isso?
Outros versos que nos trazem confusão: "A fé remove montanhas", "Tudo é possível ao que crê", "Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda..."
Hoje se instalou um consenso que basta ter fé e as coisas acontecem.
Basta ser "positivo". O importante é "acreditar".
Mas não se fala "em que" ou "em quem".
Como se houvesse um componente mágico no acreditar.
Um dos mais influentes escritores brasileiros que escreve como ficar rico – pelo menos ele ficou rico com seus livros e suas palestras – fala que para mudar nossa realidade temos que mudar nosso pensamento e nossa atitude.
Algo que vem de dentro para fora.
Fé em nós mesmos.
E então?
Segundo este critério, então, poderíamos falar que Moisés foi um homem de pouca fé, que ele não era um homem de Deus... porque Moisés implorou a Deus um tempo de vida a mais para entrar na terra prometida e isto não lhe foi concedido. Porém Moisés hoje está no Céu, desfrutando da glória da companhia de Deus...
Poderíamos supor que um homem que viu Deus face a face não era um homem de fé?
Paulo implorou a Deus para que o curasse de sua doença que tanto o importunava, mas Deus não lhe atendeu. Não retirou o espinho na carne porque, de certo modo, era instrumento doloroso de Deus – doloroso tanto para Deus quanto para Paulo – instrumento doloroso de Deus para a salvação de Paulo.
Talvez Paulo, pelo que falamos acima seria taxado hoje em dia de homem de pouca fé, porque não conseguiu curar nem a si mesmo...
Eu porém considero Paulo como um dos homens que mais exerceram fé. Fé para acreditar que Deus estava com Ele mesmo quando era humilhado, caluniado, preso, apedrejado, açoitado, levado quase morto e ainda continuar na evangelização de boa parte do mundo ocidental, da Turquia, até a Grécia.
Aliás, nunca poderemos entender plenamente o trabalho de Paulo. Este apóstolo conseguiu implantar firmemente a filosofia hebraico-cristã na terra dos pais da filosofia.
Outro exemplo de pessoa que hoje poderia ser taxado como de pouca fé foi João Batista, descrito pelo próprio Jesus como espiritualmente o maior homem já nascido – pouco menor que os anjos – e que morreu em uma prisão escura e imunda, desprezado pelas pessoas mais influentes da época, em meio a sentimentos de desesperança e solidão...
Se analisarmos bem, como nós, seres falíveis e limitados - que não sabemos nem mesmo as conseqüências de um espirro nosso - poderemos ordenar , exigir – "determinar" como fazem alguns – que Deus faça as nossas vontades?
Se observarmos outros casos de cura, veremos de outro ângulo a questão da fé quanto à cura. Simão, o leproso, tem sua saúde restaurada, mas sua alma somente foi curada quando Jesus o pegou em flagrante, com um olhar, ao Simão censurar em pensamento a Jesus e à mulher que lhe ungia os pés, a mesma mulher que Simão levara para o pecado e de quem pensava: "Se este fosse profeta, saberia que quem lhe unge os pés e pecadora". Simão tinha sido curado, e não ainda não tinha fé legítima.
Dos dez leprosos, somente um, o samaritano, retornou. Somente ele demonstrou fé legítima. Mas os outros também foram curados.
Talvez então, o problema não está na quantidade da fé, mas sim na compreensão da sua verdadeira natureza. O que realmente é fé.
Como ela age? Como ter a verdadeira fé, a que produz orações eficazes?
A VERDADEIRA NATUREZA DA FÉ. O QUE É FÉ?
Ter fé é crer. Mas não é somente isto, porque: ... "Até os demônios crêem, e tremem." Mas isto não lhes tem proveito para a sua salvação (Tia. 2:19).
Ter fé é conhecer. Você não tem fé em alguém que não conhece.
Você enviaria um cheque de 40 ou 150 mil reais a alguém que está vendendo uma casa que você quer comprar e a quem você nunca viu?
É bem conhecido que uma das atividades de maior stress é comprar carro.
O carro que estou comprando está ok? A lataria não está toda podre por baixo daquela pintura maravilhosa? O motor não está por um fio e terei que reformá-lo? A documentação está em ordem, ou será que ele está cheio de multas e impostos atrasados?
Por outro lado, quem vende se questiona: será que este cheque é bom?
A coisa chega a uma paranóia tão grande, são tantos os detalhes e complicações que se você for bem purista, exato, o negócio não sai. Só sai se tiverem advogados assessorando os dois lados e um cartório para registrar tudo.
São tantos os detalhes, que chega um momento que você tem que confiar na boa fé da outra pessoa em pelo menos alguma coisa.
Alguns dizem ter fé em Deus, mas não O conhecem.
Você confiaria a sua vida a quem você não conhece?
Você teve uma crise de apendicite e teve que ser levado ás pressas para o hospital. No caminho, você se lembra de todas as estórias de negligência e incompetência médicas e fica pensando: quem é que vai me operar? Será que ele vai fazer o melhor possível? Será que vai caprichar pra não acontecer nenhum problema? Será que ele está descansado, que ele dormiu bem à noite, que ele não brigou com a esposa, filhos, síndico, vizinhos antes de vir para o hospital?
Daí você está na maca, logo antes de te aplicarem a anestesia geral e você vê olha para os lados, enfermeiras, enfermeiros, e não conhece ninguém. Então, olha para a porta e vê alguém chegando. É o seu cirurgião. E vê que o médico é teu conhecido de anos, grande amigo da tua família.... E ele já chega falando: "olha pessoal: cuidem bem do meu amigo, hein?" E você, então, relaxa...
Ufa, que alívio!
Como você pensa, nas horas das grandes crises, dar a mão para que Deus a segure – e a morte é a maior das crises, o "último inimigo a ser vencido..." – se você não conhece a Deus, se você não confia nEle?
Vejam: aqui já introduzimos terceiro elemento essencial da fé: a confiança.
Por esta definição, então, ter fé envolve acreditar, conhecer e confiar em Deus.
E como podemos alcançar isto em nossa vida?
Somente pelo companheirismo na vivência do dia-a-dia.
Na reafirmação da escolha por Deus a cada manhã e no pedido para que Ele controle nossas emoções e conduza as circunstâncias de modo a fundamentar a confiança nEle – no fundo, a fé. Que ele mude as nossas emoções para que sintamos, cada vez mais, prazer em Sua companhia. No fundo, mudar o nosso caráter...
Muitos se dizem cristãos, mas não tem prazer de buscar na Bíblia conhecerem a Deus.
Muitos se dizem cristãos, mas não desenvolvem aquela relação de confiança que só aparece da convivência no dia-a-dia.
Muitos se dizem cristãos, mas só o são no nome, exteriormente, e esquecem que o verdadeiro sentido de ser cristão é: "aquele que conhece, confia e depende de Cristo."
Por este critério, você é realmente cristão?
Daqui nós tiramos o segredo de ter suas orações atendidas.
No momento em que compreendermos totalmente a mente de Deus, no momento em que espelharmos o Seu caráter em nós, saberemos que Deus quer fazer aquele milagre.
Este era, certamente, o segredo de Jesus. Como Ele teve coragem de mandar tirar a pedra e chamar a Lázaro de lá de dentro. Como Ele sabia que Deus iria executar aquele chamado.
Porque Jesus sabia que esta era a vontade do Pai.
"...o Filho de Deus era submisso à vontade de Seu Pai, e dependente de Seu poder. Tão plenamente vazio do próprio eu era Jesus, que não elaborava planos para Si mesmo. Aceitava os que Deus fazia a Seu respeito, e o Pai os desdobrava dia a dia. Assim devemos nós confiar em Deus, para que nossa vida seja a simples operação de Sua vontade." O Desejado de Todas as Nações, p. 114. Ed. Popular (208, outra encadernação).
"Enquanto submetermos a vontade à Sua, e confiarmos em Sua força e sabedoria, seremos guiados por caminhos seguros, para realizar a parte que nos cabe em Seu grande plano. Aquele, porém, que confia em sua própria sabedoria e poder, se está separando de Deus." Idem, p. 115.
Quando aprendermos a viver pela fé em Deus, a ouvirmos a Sua voz, saberemos a vontade de Deus para cada momento, porque Ele nos mostrará. E não precisaremos ficar perplexos ou em dúvida. A paz de Deus nos salvará da dúvida e para a obediência.
COMO CONHECER A DEUS, SUA VOZ, SUA MENTE
Como definir qual é a voz de Deus falando a nós durante o dia?
Pela emoção? Poucas vezes um país se emocionou tanto como quando o Brasil ganhou o Penta, mas isto tornou o Brasil melhor? A emoção é muito perigosa, porque pode ser manipulada, e Hitler sabia disso muito bem...
Pela razão, pelo racionalismo? Não, Paulo teve uma de suas maiores e difíceis tarefas em pregar e fundamentar filosoficamente o evangelho para os gregos, na terra da razão. Os franceses, durante a revolução francesa endeusaram a razão (a deusa razão, literalmente), e alguns anos depois, tiveram que aceitar a Palavra de Deus como guia melhor para a população, como controlador mesmo do comportamento humano (quem quiser conhecer mais, leia sobre as duas testemunhas do Apocalipse, cujos cadáveres foram expostos durante três anos e meio, no Grande Conflito. É muito interessante)
Existe um guia superior a estes, como diria a Bíblia: de um "modo muito mais superior...".
É a guia do Espírito Santo.
O cristão acostumado a ouvir a voz do Espírito no dia-a-dia saberá reconhecer a Sua voz em momentos de crise.
Aonde começamos a ouvi-Lo e a treinar reconhecer a Sua voz?
Quando a escutamos na Bíblia...
Quem aprendeu a conhecer as palavras, os ensinamentos, as intenções, as emoções até, de Jesus nos evangelhos (e eu também gosto muito do livro O Desejado de Todas as Nações), sabe, sem dúvida, reconhecer a Sua voz dentre as muitas vozes por aí que se dizem ser dEle.
João 10:27 e 28: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da mão da minha mão."
Não tem coisa melhor que, na hora que a luz apaga, a criança escutar no meio da multidão de vozes desconhecidas a voz de alguém conhecido e confiável. Se for a do pai ou da mãe, nem se fala...
Mas enquanto não chegarmos a esse ideal, de reconhecer imediatamente a voz do Espírito Santo, o que deveremos fazer? Parar de orar?
Não, devemos continuar orando!
É orando, confiando em Deus, ouvindo o Espírito Santo no dia-a-dia, que crescemos no conhecimento de Deus e nos fortalecemos para vencer nas crises.
Se nós acreditamos que Deus quer o nosso bem, que Ele quer nos salvar, podemos ter a certeza que Ele nos quer guiar pela vida. Até à vida eterna, se O permitirmos...
O Espírito Santo, que conhece a Deus e que está em nós é o único que pode nos fazer conhecê-Lo.
COMO DESENVOLVER A FÉ
Irmãos, pela minha experiência cristã eu vi que não é só pela qualidade do nosso relacionamento com Deus na igreja que nos mantemos espiritualmente.
É muito importante, porque é aqui que ouvimos falar dEle...
Mas o relacionamento com Deus é reafirmado na igreja, porém sem a vida devocional não se mantém.
A minha visão é que muitos cristãos são dependentes espirituais – se não tiverem a igreja, desmoronam.
É por isso que tantos são tão críticos com os pregadores – porque precisam de algo externo muito forte e recarregador, porque a sua fonte interna está exaurida.
Se buscássemos na igreja comunhão e não só conhecimento teórico, cada ponto de vista apresentado seria complementar e ajudaria em nossa compreensão do plano de Deus para nós.
Porém não é só a qualidade de nossa vida devocional, que é aonde nós realmente crescemos espiritualmente e nos recarregamos para o dia-a-dia e refazemos nossa decisão de entrega, mas também muito importante é o nosso companheirismo com Deus no dia-a-dia.
Os três são importantes. A igreja, a vida devocional e o companheirismo no dia-a-dia (aí é que entra o testemunho, mas isto é outra história...)
Muitos prometem amor eterno a Deus às 7 horas da manhã, mas no meio-dia o estão traindo com conversas frívolas ou em palavras desonestas, para não citarmos outros exemplos.
QUANDO DESENVOLVER A FÉ
Irmãos, muitos crêem que os momentos de crise irão fortalecer a nossa fé e quando precisarmos, correremos para Deus e Ele nos susterá e nossa fé irá crescer.
Não há nada mais triste que a morte de alguém que nunca conheceu a Deus, nunca valorizou o seu lado espiritual.
Na parábola das casas construídas na areia e na rocha, lembrem-se que na hora das chuvas, vendaval e tormenta, a casa não trocou de fundamento – ela ruiu...
Assim, conosco, as crises somente revelam do que nós somos feitos – elas não alteram em essência o que somos.
O momento de desenvolvermos a nossa fé é hoje, quando as coisas vão bem.
Hoje é o momento para desenvolvermos nossa amizade com Deus, palavra que pra mim melhor define o que é fé.
CONCLUSÃO
Meus queridos irmãos,
Quando Cristo desceu o monte da transfiguração, encontrou em baixo a mesma incredulidade que Moisés encontrou quando desceu o monte em que esteve diretamente com Deus.
Por quê?
O mundanismo, as coisas terrenas ocuparam a mente dos discípulos e eles não conseguiram expulsar os demônios.
E nós?
Aonde estamos?
Se não estivermos no monte da transfiguração desenvolvendo a nossa fé, nossa amizade com Deus, nos reconciliando com Ele, estaremos no vale da incredulidade.
A visa espiritual é sempre dinâmica, não conseguimos "congelar" um estado de espírito, porque a vida e as relações interpessoais são dinâmicas. Nossas emoções são dinâmicas e não podemos confiar num sentimento ou êxtase que um dia sentimos.
Estória:
Menino no barco sob tormenta, tranqüilo.
O seu pai era o piloto.
Se a fé por vezes falta (Jesus, o meu piloto), nº 355
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Obs: Muitos dos pontos de vista aqui apresentados foram primeiramente expostos pelo pastor Morris Venden em seu devocional "Fé que Opera", da Casa Publicadora Brasileira.













Fonte: http://sermoes.com.br/sermoes.phphttp://sermoes.com.br/sermoes.php

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