Jeferson Antonio Quimelli
INTRODUÇÃO
Quando um goleiro vai tentar defender um pênalti, o
que será que passa por sua cabeça? Se ele pertence a um clube
organizado, terá feito um excelente preparo prévio – treinado
exaustivamente as defesas; pesquisado as formas que cada jogador do
outro time faz a cobrança, mas principalmente ouvirá o que o técnico tem
a dizer.
Do outro lado, os batedores de pênaltis conhecem a
fundo as características – fraquezas e pontos fortes – do goleiro que
irão enfrentar.
Dizem que se um jogador bater bem um pênalti é
praticamente impossível ao goleiro defender. No entanto, alguns goleiros
são famosos por suas defesas, às vezes contra famosos batedores e em
jogos muito importantes.
As forças das trevas são excelentes batedores de pênaltis – através das tentações fazem-nos perder até o jogo da vida.
Satanás e seus anjos conhecem nossos pontos fracos e usarão este conhecimento para nos derrotar.
Entretanto alguns casos de excelentes defesas nos
inspiram. O mais significativo para nós aconteceu num deserto. E selou
profundamente o destino da humanidade.
O que é a tentação?
O pastor Ron Mehl, em seu livro "Finais
Surpreendentes" (aonde também lançou a "analogia do pênalti") define
tentação como sendo "...bem no fundo, um atalho. É o caminho rápido para
resultados imediatos".
O maior motivador das pessoas é a busca da
felicidade – e alguns acham que podem achá-la na satisfação dos
prazeres, outros no poder, outros na fama e dinheiro, e outros até no
sofrimento. Quando não conseguem a felicidade, culpam a falta de
dinheiro; quando o tem, culpam as pessoas, e assim em diante. Daí passam
para a fuga das drogas ou álcool, ou até a lavagens cerebrais que
algumas religiões de massa produzem. O nazismo, por exemplo foi uma
delas.
A Palavra de Deus nos fala que o caminho da verdadeira felicidade é fazer a vontade de Deus. "Apraz-me fazer a Tua vontade...".
Na estratégia de Satanás para nos vencer com este
atalhos, ele sugere, na tentação, que façamos três coisas, segundo o
pastor Mehl:
- agir rapidamente;
- pensar superficialmente e
- investir profundamente em nossa própria pessoa.
Pensem bem: não é isto mesmo que passa pela cabeça de uma pessoa quando cai no "conto do bilhete premiado"?
A tática da tentação é mostrar somente o lado
brilhante da oferta – não fazer uma análise clara das perdas e ganhos. A
emoção nos faz cometer terríveis equívocos e fazer coisas de que nos
arrependemos por muuuuuiiiiiiito tempo
O problema da tentação – seja ela para usar dopping
nos esportes, trapacear nos negócios, manter um caso sexual com a
mulher do próximo – é que ela promete recompensa a curto prazo e conseqüências a longo prazo.
Parecem aquelas promoções: Tenha dinheiro agora –
pague quando puder. Em 6, 10 ou 36 meses... Mas não dizem o quanto de
juros vai ser cobrado;
E o maior tubarão dos empréstimos também faz isto. E
os seus juros são extremamente altos. São juros sobre juros todos os
dias... Antes que a pessoa perceba, ele é o seu dono... Perdeu sua
empresa: a vida, a felicidade, para o agiota. Mas graças a Deus porque
enquanto estivermos vivo, Jesus sempre poderá resgatar a nossa dívida,
se assim escolhermos.
Vamos relembrar agora como Jesus enfrentou a tentação.
"Muitos há que não consideram
esse conflito entre Cristo e Satanás como tendo relação especial com
sua própria vida; pouco interesse tem para eles. Mas, essa luta
repete-se nos domínios de cada coração. Ninguém abandona jamais as
fileiras do mal para o serviço de Deus, sem enfrentar os assaltos de
Satanás. As sedutoras sugestões a que Cristo resistiu foram as mesmas
que tão difícil achamos vencer. A pressão que exerciam sobre Ele era
tanto maios, quanto Seu caráter era superior ao nosso. Com o terrível
peso dos pecados do mundo sobre Si, Cristo suportou a prova quanto ao
apetite, o amor do mundo e da ostentação, que induz à presunção. Foram
essas as tentações que derrotaram Adão e Eva e tão prontamente nos
vencem a nós." (Ellen G. White, no livro Desejado de todas as Nações, p. 61.)
Como Jesus enfrentou a tentação
Mantenha marcadores em Lucas 4 e Deuteronômio 6, porque iremos ler seguidamente estes versos.
Lucas 4:1: "Jesus, cheio do
Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no
deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu
naqueles dias, ao fim dos quais teve fome".
Notem que o verso não fala que ele foi tentado ao final dos 40 dias. Ele foi tentado durante os 40 dias!
O batismo de Jesus marcou uma divisão na vida de
Jesus. Ao Ele se batizar Ele se identificou com o pecado do mundo, Ele
que não precisava de batismo.
Quando o Espírito nos leva para o deserto, Ele o faz
para nos fortalecer. É no sofrimento que desenvolvemos nossa
dependência de Deus.
Quando o Espírito Santo nos permite entrarmos em
tentação, tem dois propósitos: ou nos fortalecer pela dependência de
Deus e assim crescer; ou percebermos que somos impotentes para vencermos
sozinhos – podemos não Ter feito nenhum pecado, mas estávamos em pecado
por estarmos longe de Deus. E assim, definitivamente perdidos.
Por outro lado, não devemos procurar a tentação.
Procurar a tentação sem termos o Deus ao nosso lado é derrota completa.
Pedro procurou a tentação e falhou vergonhosamente.
No que Jesus estava pensando no deserto? Eu posso
responder a esta pergunta com certeza: Ele esteve meditando sobre o
livro de Deuteronômio.
Jesus certamente conhecia o Pentateuco (Gênesis,
Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) de cor. Os rabinos tinham que
conhecê-lo para serem considerados rabinos. Porém Jesus sabia mais que
isto - conhecia o sentido correto de cada passagem. Isto Ele demonstrou
aos 12 anos, na sua primeira ida ao templo.
As respostas às três tentações (leia Deuteronômio
6:13; 6:16 e 8:3) Ele retirou das experiências do povo judeu no deserto.
Leia Deuteronômio 6 a 8 e você verá ali o profundo desejo de Deus para
a conversão de Seu povo e o caminho que Deus gostaria que eles
seguissem.
Este desejo está manifesto no segundo discurso de
Moisés ao seu povo (Deuteronômio capítulos 5 a 9), palavras que lhe
foram transmitidas pelo próprio Jesus Cristo no Monte Sinai durante 40
dias – "Subindo eu ao monte a receber as tábuas de
pedra, as tábuas da aliança que o Senhor fizera convosco, fiquei no
monte quarenta dias e quarenta noites; não comi pão, nem bebi água" Deut.9:9.
Certamente nestes 40 dias no deserto, Jesus esteve
pensando sobre a peregrinação dos israelitas nos 40 anos, causados por
sua incredulidade pelo relato trazido pelos espias ao retornarem dos 40
dias em que estiveram em Canaã. Este simbolismo não é mero acaso. Jesus
venceu a tentação no ponto onde os israelitas fracassaram: na
demonstração de confiança na Palavra do Pai - a Palavra escrita e a
Palavra dita.
A PRIMEIRA TENTAÇÃO
A tentações sempre vieram a Jesus como pensamentos
inicialmente coerentes. Ao ficar quarenta dias sem comer, provavelmente
já tinha desmaiado algumas vezes de fome – a ponto de temer pela
própria vida. Como sairia agora do deserto? Quem lhe acudiria? E se
morresse ali, como cumpriria Sua missão de ensinar e se oferecer à morte
substitutiva?
Os desbravadores de minha igreja participaram de um
acampamento rústico e no domingo o meu filho adolescente Christian me
falou que ele tinha se sentido "No Limite". De tanta fome, ele chegou
até a comer cebola... E olha que eles levaram comida, barracas,
cobertores, fósforo...
Aliás, os pais agradecem imensamente aos diretores Tadeu e a Márcia...
Qualquer um que ensine nossos filhos a comer cebola é um herói...
Porém Jesus realmente estava no Seu limite. Tanto
que após as tentações, os próprios anjos o acudiram para que Sua
natureza humana não morresse.
Neste momento de fraqueza, Satanás Lhe aparece muito
provavelmente sob a forma de um anjo de glória enviado pelo Pai para
lhe acudir e determinar o fim do sofrimento, a autorizar-Lhe a usar Seu
próprio poder para fazer das pedras, pães.
Leiamos Lucas 4:3: "Disse-lhe, então o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão."
Apesar de ser para uma boa coisa – se Jesus morresse
ali, como poderia salvar a humanidade ? – duas coisas naquela
insinuação não se encaixavam:
A primeira: se Jesus usasse o seu poder divino em
proveito próprio, como poderia ser um exemplo perfeito a nos indicar que
pelo depender de Deus podemos vencer? Leiamos Hebreus 4:15: "Porque
não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas
fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa
semelhança, mas sem pecado."
Segundo, a palavra SE. Jesus sabia pela Palavra
escrita, que Ele mesmo levara os profetas a registrar e pela Palavra
dita, ao ser batizado que Ele era o Filho amado de Deus, em quem Deus
tinha grande prazer.
"A Palavra de Deus era a
segurança de Cristo quanto à divindade de Sua missão ... Se a confiança
de Cristo em Deus fosse abalada, Satanás sabia que lhe caberia a vitória
no conflito." Desejado, p. 63 (118/120).
O mesmo ocorre conosco, se duvidarmos da Palavra de Deus, não teremos direção segura em nossa vida.
Caso Ele tivesse feito o milagre, teria incorrido no
mesmo pecado do povo de Israel ao duvidar do cuidado de Deus por Eles no
deserto. E sabemos que em resposta às suas necessidades, Deus lhes deu o
maná, coisa que nem os seus pais tinham ouvido falar, e fez brotar
fontes de águas. E se lembrou das palavras que registravam a
importância em crer nas promessas de Deus: Deut. 8:3. "Ele
te humilhou, e te deixou Ter fome, e te sustentou com o maná, que tu
não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não
só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor
viverá o homem."
Temos que reconhecer que mesmo o nosso pão vem
da boca do Senhor, da maneira que Ele determina em Sua sabedoria e em
Seu amor para nós.
Quando achamos que as coisas do modo de Deus não vão
mais acontecer, nós fazemos do nosso modo. E o resultado é sempre pior.
Os juros cobrados são sempre altos.
A SEGUNDA TENTAÇÃO
Seguindo a ordem de Mateus (a de Lucas as duas
últimas tentações estão invertidas), Satanás levou Jesus para o alto do
templo e mostrou a Ele o povo judeu, principalmente os líderes, e
insinuou como seria bom para o ministério de Jesus se ele vissem a Jesus
sendo sustido pelos anjos. Certamente creriam que Ele era um ser
divino, com uma mensagem a ser ouvida, se fizesse uma demonstração
pública do Seu poder.
E Satanás aqui foi muito astuto. Ele usou um texto da própria Bíblia: "Aos seus anjos ordenará ao teu respeito que te guardem"
(Lucas 4:10). E "eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares
nalguma pedra." Satanás deve Ter pensado (em termos de hoje): "Cheque
mate!"
Certamente Jesus não queria que as conversões se
dessem por demonstrações de poder, mas pela compreensão e aceitação do
amor de Deus, através do Espírito, mas como combater a esta tentação?
Como você responderia a esta tentação? Não seria
justo cobrar de Deus a Sua promessa? Ainda mais sendo Ele o Filho de
Deus? O Pai deixaria o Filho morrer?
O que vocês fariam?
Primeiro, Jesus usou o conhecimento: Ele conhecia a passagem citada (Salmo 91:11) e sabia que estava faltando um pedaço.: "em todos os Teus caminhos", isto é: em todos os caminhos da escolha de Deus.
Ouçam o que EGW tem a dizer sobre isto: "Jesus
recusou sair do caminho da obediência. Conquanto manifestasse perfeita
confiança em Seu Pai, não se colocaria, sem que Lhe fosse ordenado, em
situação que tornasse necessária a interposição do Pai para O salvar da
morte. Não forçaria a Providência a vir em Seu socorro, deixando assim
de dar ao homem um exemplo de confiança e submissão." (Desejado de Todas as Nações, p. 124)
Com o conhecimento de todo o texto e de sua correta
interpretação, Jesus teve a certeza de que a proposta não tinha
fundamento – porém Ele não utilizou isto para refutar à tentação. Jesus
não dialogou com o tentador. Preferiu antes ir ao âmago da questão,
apoiado em um "Está Escrito".
Segundo, a resposta de Jesus, em Lucas 4:12, novamente recorda a experiência de Israel no deserto (Deut. 6:16) : "Não tentarás o Senhor teu Deus".
"Essas palavras foram ditas por Moisés aos filhos de
Israel, quando tinham sede no deserto, e pediram que Moisés lhes desse
água, exclamando: ‘Está o Senhor entre nós, ou não?’
[Ex.17:7] Deus operara maravilhas por eles; todavia, em aflição, dEle
duvidaram, e exigiram demonstrações de que estava com eles." Idem.
E Satanás estava tentando a Cristo a fazer a mesma coisa: "a pedir o que Deus não tinha prometido". Ibidem.
A TERCEIRA TENTAÇÃO
Lucas 4:5 conta então que Satanás levou Jesus ao um
lugar muito alto e mostrou numa visão panorâmica todo o mundo, com sua
glória. Com certeza escondeu as suas misérias.
E prometeu: Ler verso 6 e 7: "Disse-lhe
o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos,
porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Portanto, se
prostrado me adorares, toda será tua."
Não seria muito mais fácil para Jesus acabar com a miséria do mundo aceitando esta oferta?
Jesus porém percebeu as meias-verdades de Satanás.
Primeiro que o mundo teria que continuar convivendo com suas misérias.
Segundo que o mundo não era de Satanás para dá-lo.
Satanás roubou a autoridade que Deus deu a Adão para governar a Terra,
mas esta autoridade estava subordinada a Deus. Certamente Jesus se
lembrou de do que o Senhor disse a Nabucodonosor em Daniel 4:7: "O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer".
Do mesmo modo, quando Satanás nos nos prometer a
felicidade, lembremos que ele não tem a felicidade para nos prometer;
que atrás da propaganda de cigarro tem o câncer; que atrás do sexo fácil
tem a AIDS, gravidez indesejada, casamentos infelizes; que atrás de um
negócio obscuro tem a consciência pesada e o medo de ser descoberto.;
que atrás do ódio tem a intranqüilidade e falta de paz.
Jesus então respondeu (verso8): "Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto"., citando Deut. 6:13 (com o sentido dos versos 14 e 15 - Ler).
Ao se chocar o impulso da emoção com o conhecimento da Palavra, Jesus preferiu confiar antes na Palavra. E saiu vitorioso.
Após usar a Palavra para se defender da tentação, Jesus pôde expulsar Satanás.
Tiago 4:7-8: "Sujeitai-vos pois a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós."
O problema é que muitos queremos resistir o diabo, expulsá-lo mas não nos submetemos a Deus.
Que tristeza...
"Havendo partido o adversário,
Jesus caiu exausto por terra, cobrindo-Lhe o rosto o palor da morte. Os
anjos do Céu haviam testemunhado o conflito, contemplando seu amado
capitão enquanto passava por inexprimíveis sofrimentos para nos abrir a
nós um meio de escape. Resistira à prova – prova maior do que jamais
seremos chamados a suportar. Os anjos serviram então ao Filho de Deus,
enquanto jazia como moribundo. Foi fortalecido com alimento, confortado
com a mensagem do amor do Pai, e com a certeza de que todo o Céu
triunfara com Sua vitória. Reanimado, Seu grande coração dilatou-se em
simpatia para com o homem, e saiu para completar a obra que iniciara;
para não descansar enquanto o inimigo não estivesse vencido, e nossa
raça redimida." Desejado, p. 70 (130-131)
CONCLUSÃO
Se você quer defender bem pênaltis, fortaleça as
suas defesas, pela meditação na Palavra e pela oração. E principalmente,
como aprendeu em sua vida o pastor Mehl, "mantenha os olhos firmes no
treinador. Ele passará informações preciosíssimas. Mais que isto, Ele
defenderá o pênalti por você".
Jesus pode se defender das tentações porque conhecia profundamente a Palavra de Deus.
Podemos usar com profundidade a Palavra para perceber a tentação chegando e correr dela, usando um "está escrito?"
Muitos estão vivendo na superficialidade.
Existem trechos da Bíblia com profunda sabedoria e muitos se contentam com migalhas.
Para ajudar em sua análise pessoal, compare o tempo
que você dedica para conhecer a vontade de Deus e em oração com o tempo
que você vê televisão. Tente calcular este tempo em horas semanais.
Alguns minutos para Deus? Quantas horas para o "mundo"?
Será que não é por isso que em Apocalipse 4 que Jesus fala que somos mornos e por isso Ele tem náuseas por nossa causa?
Por isto no verso 20 Ele convida a entrar: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo."
Note: se Ele estivesse dentro, não estaria do lado de fora batendo.
Será que nós já permitimos que Deus entrasse em nosso coração?
Ou será ainda que em algum momento da vida, nós o convidamos a sair, para fazermos a nossa própria vontade, deixando-o de fora?
Não é agora a melhor hora para reverter isto?
Você não quer aproveitar esta oportunidade para se
submeter a Deus, reafirmando a tua confiança na Sua direção para os teus
caminhos?
Você não gostaria de fazer isto hoje comigo?
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