O
dia 1º de abril é marcado como sendo o dia da mentira. Não se sabe ao
certo quando se deu o início dessa “comemoração” mas hipóteses têm sido
levantadas.
Alguns
acreditam que a origem está ligada com a adoção do calendário cristão,
no século XVI, que mudou o primeiro dia do ano para 1° de janeiro e não
mais 1° de abril, como era até então. Outros explicam o dia da mentira
através da mitologia nórdica, a qual consagrava o dia 1° de abril a
Loki, o deus das trapaças.
Já
no Brasil, a primeira referência histórica a essa data remonta ao tempo
do império, mais particularmente em 1848. No dia 1° de abril daquele
ano, na cidade pernambucana de Olinda, teria sido publicado um jornal
intitulado “A Mentira”, cuja matéria de capa anunciava a morte de Dom
Pedro. Essa manchete, é claro, foi desmentida no dia seguinte.
A
data é lembrada no mundo todo e até mesmo meios de comunicação de
respeito e prestígio aproveitam o dia para noticiar mentiras como uma
maneira de brincar com o público.
Alguns,
entretanto, apregoam a prática da mentira não somente como zombaria,
mas também como sendo uma opção filosófica. Um exemplo é a atual adoção
do relativismo e a conseqüente desqualificação dos valores absolutos.
Guiados por esse pensamento, há aqueles que defendem a mentira como
sendo a opção pelo mal menor, ou seja, se a verdade trará consigo
implicações desastrosas, a mentira pode ser justificada. A raiz disso é
muito antiga, pois no século XIII, Tomás de Aquino já classificava a
mentira em três categorias: jocosa, perniciosa e benevolente; em termos
atuais seria como dizer que existe “mentira”, “mentirinha” e
“mentirona”. Por esse prisma, as “mentirinhas” podem, então, ser
facilmente toleradas ou até adotadas como prática usual. Os americanos
têm até uma expressão para isso; eles as chamam de “mentiras brancas”.
Quer
brincando, quer falando sério, a prática da mentira é quase tão antiga
quanto a própria existência humana. O “quase” é porque Deus não criou
um ser mentiroso e sim santo e destinado a verdade, mas a mentira foi
uma opção do ser humano ao se desviar do propósito de Deus para sua
vida. Apartado do seu Criador, ele agora não consegue fazer uma
distinção clara daquilo que é mal e por conseqüência, torna-se
prisioneiro da mentira (Is 59.1-3). O rei Davi, ao descrever os homens
que não conhecem a Deus chega ao ponto de dizer que eles “se deliciam
com a mentira” (Sl 62.4).
O
ser humano, em sua situação natural de ignorância pode ser
personificado em Pilatos que ao interrogar Jesus perguntou: “Que é a
verdade?” (Jo 18.38) Mal sabia ele que o Mestre já havia respondido essa
pergunta antes, quando afirmou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a
vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jo 14.6) Através de sua morte e
ressurreição, Jesus deu condições para que os olhos humanos fossem
abertos a fim de enxergarem a verdade, afinal.
Ao
ver a realidade dos seus próprios pecados e a liberdade que existe em
Jesus, o ser humano pode imitar seu Senhor e passar a andar em uma vida
nova (Rm 6.4). Agora, transformado em filho de Deus, ele deixa a mentira
de lado e fala somente a verdade (Ef 4.26) tendo como motivação
principal o amor (Ef 4.15).
Sob
essa ótica, todos os dias humanos são como dias de mentira, mas com
Cristo, todos os dias passam a ser dias de verdade, pois ele agora tem
discernimento da verdade.
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