Nota:
Com base em Génesis 26.7-9, estou abordando 4 aspectos do coração humano em 4 artigos. Sendo este o último.
7 E perguntando-lhe os homens daquele lugar
acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha
mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele
lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista. 9 Então chamou
Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua mulher; como pois
disseste: É minha irmã? E disse-lhe Isaque: Porque eu dizia: Para que
eu porventura não morra por causa dela. Gên 26:7-9
O CORAÇÃO DO HOMEM É PROPÍCIO A ENLAÇAR-SE COM AS BÊNÇÃOS
“... porque era formosa à vista … ” Gn 26.7
Todos os homens pedem como esposa uma princesa, no entanto para manter
uma princesa o homem necessita de ter estatuto de príncipe. Não é
possível fazê-lo de outra forma.
No entanto, o problema não era a mulher linda de Isaque, era Isaque ser
marido de uma mulher linda. Ninguém quer mulher feia, mas mulher bonita
pode ser uma sentença de morte.
Neste caso, para Isaque, a beleza da esposa constituiu um dilema enorme, que o faz pensar mesmo ao nível da sobrevivência.
O problema nunca é a bênção, mas como o nosso coração gere isso de forma a que não nos sirva de laço à nossa comunhão com Deus.
- Amigos são uma bênção, mas pode servir de laço
- Um trabalho pode ser uma bênção, mas pode servir de laço
- Família é uma bênção, mas pode servir de laço
- Posses são bênçãos, mas pode servir-me de laço.
Neste aspecto nenhum de nós está imune, a menos que esteja desperto e não deixe-se enredar.
5 Formas de Evitar que bênçãos sirvam de laço
4.1. Ter sempre em mente que Deus é o dador de toda a boa dádiva e deverá ser glorificado por isso :
Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem
do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra
de variação. (Tg 1:17)
Se alguém falar, fale segundo as palavras
de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá;
para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence
a glória e poder para todo o sempre. Amém. 1Pd 4.11
“... E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?” 1Cor 4.7
Este é um facto que preciso fazer um esforço para lembrar-me dele, pois rapidamente tenho tendência de esquecer.
Deus, sendo o dador da Vida, também é o dado de todas as coisas e por
esta razão precisamos de glorificá-Lo por tudo aquilo que possuímos.
4.2. Ter em mente que precisamos de pedir sabedoria a Deus :
"E, se algum de vós tem falta de sabedoria,
peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e
ser-lhe-á dada." (Tg 1:5)
Deus concedeu a Salomão a oportunidade de sentar-se no trono de Israel, e
aquilo que ele mais sentiu falta foi de sabedoria afim de guiar o povo
de Deus.
Pensemos: Somente pelo fato de Salomão pedir sabedoria, já demonstra que ele era sábio.
Geralmente achamos que falta de sabedoria não é nosso problema, mas grande parte das vezes falta de sabedoria é o nosso forte.
A pessoa sábia pede sabedoria afim de lidar com tudo aquilo que possui:
O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria. (Prov 18:15; 9:9; Prov 10:14)
Penso que, não deveríamos pedir nada a Deus sem primeiramente, pedirmos a
sabedoria e capacidade de lidarmos com tais coisas, seja em que área
for.
Eu não posso ou pelo menos não devo apenas desejar uma grande casa sem pensar nas diversas despesas que isto implica.
Não devo também desejar um carro por mais simples que seja, sem pensar nas manutenções que o mesmo implica.
Por vezes desejamos tanta coisa e Deus não nos confere porque sabe que
isso pode levar-nos a uma desgraça espiritual. Jesus disse:
Pois qual de vós, querendo edificar uma
torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se
tem com que a acabar? (Lc 14:28)
4.3. Ter sempre em mente que daremos contas a Deus de nossa mordomia:
"E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo
bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no
gozo do teu senhor." (Mat 25:21)
Quando Deus distribui talentos a cada um de nós, ele conta que nós façamos bom uso dos mesmos.
Que investamos em seu reino de tal forma que as pessoas percebam que a
vida que vivemos é vivida com temor para com Aquele que iremos prestar
contas.
"Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;" (Mat 18:23)
E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto
que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser
mais meu mordomo. (Lc 16:2)
Paulo e Pedro usam a expressão dispenseiro:
"Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel." (I Cor 4:2)
Há um quadro de Rembrandt Van Rijn que retrata o senhor da vinha a chamar seus criados. Quadro bastante sugestivo. [1]
Um mordomo deve ser isto mesmo. Alguém que sabe administrar com sabedoria aquilo que lhe é colocado em mãos.
4.4. Ter sempre em mente que bênçãos podem transformar-se em maldição
29 Porque a qualquer que tiver será dado, e
terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á
tirado. 30 Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali
haverá pranto e ranger de dentes. Mat 25.29,30
As coisas tornam-se maldição não porque sejam más em si, mas porque aplicamos um uso descuidado das mesmas.
C.S. Lewis, em seu livro "Cristianismo puro e simples" por outras
palavras diz que espera-se que um homem tenha a força de um guerreiro ou
mesmo que seja viril, no entanto, há momentos próprios para aplicar
cada uma destas forças, ou no campo de batalha ou quando está com a
mulher. Se ele usasse a força da guerra para com a mulher faria
estragos, por outro lado se ele usasse a virilidade em campo de batalha
provavelmente não seria próprio.
Um faca, o fogo, um automóvel, todas estas coisas que são bênçãos em
nosso dia-a-dia e facilitam-nos imenso a vida, podem transformar-se em
maldição quando permitimos de forma consciente ou não, que tais assumam o
controle.
Não é difícil perdermos o controle que exercemos sobre as coisas pelo poder que as coisas exercem sobre nossas vidas.
4.5. Ter em mente que bênçãos não são meramente benefícios pessoais:
17 Manda aos ricos deste mundo que não
sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em
Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; 18
Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam
comunicáveis; 19 Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o
futuro, para que possam alcançar a vida eterna. 1Tm 6.17-19
Deus simplesmente pode não conceder-nos
determinadas coisas porque sabe de antemão que usaremos de tais coisas
de uma forma egoísta.
"Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus." (I Pd 4:10)
Quando Deus concede-nos bênçãos, sejam elas do foro material ou mesmo
espiritual é com o intuito de abençoarmos outros à nossa volta e não
apenas para proveito próprio.
[1] Fonte

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