1 GUARDAI-VOS de fazer a vossa esmola
diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis
galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 2 Quando, pois, deres
esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas
nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em
verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 3 Mas, quando tu deres
esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; (Mat.
6.1-3)
DEFININDO:
O dicionário online priberam, define ostentação da seguinte forma:
- 1. Acto ou efeito de ostentar.
- 2. Manifestação.
- 3. Alarde.
- 4. Luxo.
- 5. Jactância.
- Mostrar com alarde; exibir; alardear.
Não há ninguém que não goste de ser reconhecido por aquilo que faz. O
reconhecimento, inclusive, é algo bíblico e incentivado nas Escrituras:
Porque recrearam o meu espírito e o vosso. Reconhecei, pois, aos tais. (I Cor 16:18)
E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os
que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos
admoestam; (I Tess 5:12)
Porém, é na forma como lidamos com este reconhecimento, que reside o perigo o qual necessita de dobrada vigilância.
A melhor forma de vencermos a ostentação, o orgulho em praticar algo, é aceitar o desafio de Jesus fazendo e não publicando,
esperando daí, receber promoção ou elevação. Este é o tipo de atitude
que ambiciona: notoriedade, visibilidade, reconhecimento.
Como devemos calcular, o problema não reside em falar de algo que
eventualmente se possa fazer. Encontramos exemplos disto também nas
Escrituras:
"Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a
sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que
todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo." (I
Cor 15:10)
21 Envergonhado o digo, como se nós
fôssemos fracos, mas no que qualquer tem ousadia (com insensatez falo)
também eu tenho ousadia. 22 São hebreus? também eu. São israelitas?
também eu. São descendência de Abraão? também eu. 23 São ministros de
Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais;
em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de
morte, muitas vezes. 24 Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites
menos um. 25 Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado,
três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; 2Cor
11.21-25ss
A ostentação é um problema de coração, de raiz, e quanto às verdadeiras
motivações dos outros, sabemos pouco. Sobre nós, é certo que, podemos
saber muito mais.
Jesus conhecia a razão porque os fariseus oravam em público, doavam
esmolas, jejuavam. As pessoas ao derredor, não. E é exactamente por Ele,
Jesus, falar neste espírito ostensivo dos fariseus que ficamos a saber
quais as verdadeiras razões porque eles faziam o que faziam.
Há pessoas que parecem querer promoção à custa de algo e enganamo-nos; Outras há que, parecem não desejá-la e enganamo-nos.
Uma pessoa pode até ser vaidosa pela sua simplicidade. Isso acontece se
ela faz de sua simplicidade um troféu em relação aos outros. No entanto,
a simplicidade é algo que Deus aprova. Contudo, algo bom, pode
eventualmente ser "recheado" de uma má intenção.
COMO DESCOBRIR SE AJO COM OSTENTAÇÃO ?
Permitem-me dar sugerir três indícios que podem e estão muitíssimas vezes interligados. E são estes:
2.1.
Quando começamos a tirar a alegria ou o prazer do elogio ou da pessoa
que nos elogia e começamos a alegrar-nos em nós mesmos:
Este é um dos sinais que pode demonstrar o princípio da ostentação. É
aqui que começamos a escorregar para o desfiladeiro do orgulho.
Uma pessoa orgulhosa, não fica feliz porque o outro gostou daquilo que
ele fez, mas fica feliz consigo mesmo. O discurso muda para “eu fiz, eu construí, eu sou” e isso repete-se de forma sistemática. É a super-valorização do "Eu".
Este é um ponto muito importante a considerar. Ele não se preocupa se o
outro foi abençoado, ele preocupa-se em que isto seja pessoalmente e
unicamente meritório.
2.2. Quando ficamos chateados porque fizemos com tanto esforço e ninguém disse nada:
"Servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens." (Ef 6:7)
"E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens," (Col 3:23)
Quando fazemos alguma coisa para alguém, estamos definitivamente a fazer
para esta pessoa e naturalmente esperamos que haja reconhecimento, mas,
nem sempre assim acontece e isso pode-nos levar até a ficar bastante
irritados.
No entanto, a Palavra de Deus ensina-nos a mudar o foco do reconhecimento.
Quando um cristão faz algo, seja em que área for, ele jamais deveria
esperar dos homens o reconhecimento. Caso estes reconhecessem, seria um
bónus, mais nada.
Pense no seguinte: Ninguém vive de bónus, ninguém vive de um extra,
ninguém vive de gorjetas. Um bónus, um extra ou uma gorjeta é algo que
não sustenta, mas certamente ajuda. Era assim que deveríamos olhar para o
reconhecimento dos homens. Deus, esse sim, é o nosso sustento e a razão
de nossas ações:
"A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta." (Slm 63:8; 119.116)
Quando este pensamento torna-se norteador, passamos a fazer as coisas
com a maior naturalidade possível. E, mesmo que, ninguém reconheça,
sentir-nos-emos abençoado em relação ao amor que sentimos para com nosso
Senhor.
"Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram." (II Cor 5:14)
Não são os elogios das pessoas que nos deve mover, mas o amor por Cristo
e uma gratidão enorme por aquilo que Ele fez por nós na cruz do
Calvário. Como consequência disto, queremos abençoar os outros.
Há pessoas que, são capazes de ir longe por algo que se coma, não por
necessidade, mas porque sim. Semelhantemente, há pessoas que, são
capazes de tudo para arrancar a ferros um elogio dos outros para si mesmo.
Os elogios tem de brotar dos outros naturalmente não por pressão ou simplesmente para parecerem simpáticos.
2.3. Quando surge o pensamento: “Como ninguém elogiou: Tais pessoas não merecem o que faço”
"Eu de muito boa vontade gastarei, e me
deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais,
seja menos amado." (II Cor 12:15)
O apóstolo Paulo, revela exatamente o contrário deste tópico.
Sem dúvida que o diabo começa a dar-nos um empurrão à nossa própria
natureza que ama o prestigio, dando-nos a triste ideia que as pessoas
que estão à nossa volta definitivamente, não merecem desfrutar da alta
qualidade de pessoa que somos.
O diabo sempre tem grandes planos para pessoas que “valem muito”.
Temos que ser muito criteriosos neste aspecto e pedir a Deus que nos dê
uma mente continuamente lúcida afim de sabermos exatamente o que
esperamos, quando publicamos nossos feitos.
Para uma pessoa chegar a uma conclusão que gosta de ser publicitada em
suas obras e decide mudar de comportamento reconhecerá que esta mudança
não será tarefa fácil. O problema é que todos nós gostamos disso: Uns
mais, outros menos; Uns lutam contra, outros não.
Podemos comparar esta dificuldade em evitar a ostentação, o orgulho à
atitude de uma pessoa que não é nada segredeira e sofre imenso porque
alguém pediu segredo e ela deseja contar à primeira pessoa, que lhe
aparece na frente. Podemos estar certos que ela sofre muito em não
contar. É este sofrimento que demonstra que ela é viciada em cusquice.
Existem várias possibilidades :
- Posso querer reconhecimento abertamente
De forma clara eu publica meus feitos e sinto prazer no reconhecimento.
Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus? Jo 5.44
"Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus." (Jo 12:43)
- Posso querer reconhecimento sorrateiramente
Podemos agir de forma a aparentar que não desejamos, mas no fundo,
ansiamos que nossas obras sejam conhecidas. Soa mais ou menos assim:
“Eu não estava à espera de reconhecimento, mas ... também ninguém disse nada”
É também uma ilusão, pois enganamo-nos sabendo que, Deus tudo sabe, tudo conhece, tudo vê.
- Posso com alegria querer apenas o reconhecimento de Deus
Faço alegremente como Jesus ensina-me.
Este tipo de pessoa quando faz algo sabe de antemão que não deve esperar
absolutamente nada dos homens. No entanto, mesmo agindo assim com a
naturalidade necessária, Deus toca os corações dos outros afim de que
sejam reconhecidos.
- Posso querer apenas o reconhecimento de Deus com pesar
Sofro porque não desejava que fosse assim, no entanto reservo-me à
publicidade. Acredito que acaba por ser um caminho que nos conduz à
resignação. E poderá eventualmente ser um grande passo, rumo à vitória.
CONCLUSÃO:
Somos por vezes tão tolos que mesmo sabendo que perdemos o galardão da
parte de Deus, preferimos a honra dos homens, como Jesus mesmo afirmou.
Quando não publicitamos nossos actos, seguimos a Jesus e negamo-nos a nós mesmos. Esta não é uma atitude que tem muitos adeptos.
Termino, com os mesmos versículos, que comecei:
1 GUARDAI-VOS de fazer a vossa esmola
diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis
galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 2 Quando, pois, deres
esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas
nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em
verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 3 Mas, quando tu deres
esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; (Mat.
6.1-3)

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