A
música sempre esteve presente nos momentos de adoração do povo de Deus.
Desde o velho testamento, observamos servos fiéis de Yahweh louvando-O
através de canções, elogiando os Seus poderosos feitos, Sua gloriosa
criação e Seu maravilhoso plano de redenção. Já no livro do Êxodo,
encontramos o registro de Moisés, logo após a travessia do Mar Vermelho,
cantando ao Senhor, sendo em ato contínuo seguido por Miriã e outras
mulheres que, com danças, repetiam: “Cantai a Yahweh, porque sumamente Se exaltou e lançou no mar o cavalo com seu cavaleiro” (Êx 15:21). Outrossim, o livro dos Juízes retrata a juíza Débora entoando seu cântico ao Deus de Israel, dizendo: “Ouvi, reis; dai ouvidos, príncipes; eu, eu cantarei a Yahweh; salmodiarei a Yahweh , Deus de Israel”
(Jz 5:3ss). Já Ana, mãe do profeta Samuel, por ser agraciada pelo
Senhor com um filho e após consagrá-lo a Ele, entoou um cântico: “O
meu coração exulta em Yahweh, o meu poder está exaltado em Yahweh; a
minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na sua
salvação” (I Sm 2:1ss). E assim prossegue toda a narrativa do AT,
com o registro de muitos cânticos do povo de Deus em situações
especiais, sendo que inclusive o maior livro que o compõe nada mais é do
que um saltério, isto é, uma coletânea de hinos de louvores a Deus.
Semelhantemente
a Ana, Maria também se alegrou com a promessa de que seria mãe, e como
ela, também entoou um belíssimo cântico ao Senhor, que ficou conhecido
na história da Igreja como o Magnificat: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”
(Lc 1:46ss). As Escrituras também registram um momento ímpar na vida e
no ministério do Senhor Jesus. Em Seus últimos momentos antes de Sua
crucificação, logo após a instituição da Santa Ceia como memorial da
Aliança que Deus firmaria com Seu povo através do Sangue que Ele
derramaria na cruz do Calvário, Marcos diz que: “tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras” (Mc 14:26), onde Pedro seria avisado que negaria o Senhor e de onde partiriam para o Getsêmani. Embora não saibamos qual
hino teria sido entoado na ocasião, vemos nesta passagem que Cristo fez
uso deste expediente, e certamente o fez com um propósito, o qual não
sabemos, mas podemos especular que fosse para ajudar os discípulos a
lembrar das promessas feitas por Deus ao Seu povo, do Seu cuidado e
providência, e até mesmo para encorajá-lo na missão que Ele teria que
cumprir nas próximas horas, a saber, todo o suplício de sua prisão,
julgamento, flagelamento e crucificação, visando a nossa redenção.
É
certo que o louvor a Deus pode dar-se de inúmeras formas, e não se
resume aos atos que são praticados em nossas atividades litúrgicas. No
nosso viver diário, devemos louvar a Deus e agradecê-lo por Seus atos de
bondade para conosco, reconhecendo que é por Ele, dEle e para Ele que
são todas as coisas (Rm 11:36). Porém, é no culto público que este
louvor pode e deve evidenciar-se de forma abundante e plena, visando à
glorificação do Senhor e a edificação dos congregados naquele local. O
Apóstolo Paulo nos exorta em Colossenses 3:16:
“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.”
Vemos
nesse pequeno texto a importância de a Palavra de Deus habitar em
nossos corações, de tal maneira que Ela produza em nós instrução,
conselho, sabedoria, louvor, uma hinódia cristã verdadeiramente
espiritual e gratidão, e que haja mutualidade neste processo, ou seja,
tudo sirva para edificação uns dos outros no culto: “Que fareis,
pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem
doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação; faça-se tudo
para edificação” (1 Co 14:26). E, ainda, “faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14:40).
Podemos enumerar pelo menos três razões pelas quais devemos cantar em nossos cultos apenas canções cujas letras sejam de fato compatíveis com a Palavra de Deus: (1) Porque estes cânticos glorificam a Deus na forma como Ele mesmo Se revelou; (2) Edificam os crentes na Bíblia; e (3) Transmitem ensinos aos não-crentes que visitam o culto solene.
Em
relação à primeira razão enumerada, entendemos ser de fundamental
importância a exaltação dos atributos de Deus tais quais a Bíblia nos
indica: Ele é o Senhor Soberano, o Criador de todas as coisas, o
Onipotente, o Onisciente e o Onipresente, Aquele que é, que era e que há
de vir (Ap 1:4). Nossos cânticos devem refletir a grandeza e a
majestade do nosso Deus, a exemplo dos Salmos 48 e 145.
Sobre
o segundo ponto, podemos inferir que crentes que conhecem bem as
Escrituras e seus ensinamentos são cristãos mais autênticos e menos
suscetíveis a erros doutrinários e de caráter (Sl 119:105); assim sendo,
é de fundamental importância que nossos cânticos não contenham heresias
ou pensamentos de origem religiosa duvidosa, como podemos perceber em
alguns hits gospel do momento, que trazem em seu bojo alguns
ensinamentos da nova era e da doutrina da confissão positiva e da
teologia da prosperidade, tão nocivas em sua essência.
E,
finalmente, sobre o terceiro ponto podemos comentar que os não-cristãos
devem recebem desde o seu primeiro contato com a fé evangélica um
ensinamento corretamente embasado nas Escrituras (Mt 28:19-20), não
apenas no sermão que será proferido mas também pelas mensagens recebidas
através da adoração musical, tendo em vista ser a música um instrumento
de melhor captação e memorização de informações nelas contidas. Quando
aplicarmos estes princípios em nossas reuniões de adoração, creio que
será possível vivenciarmos o que o Apóstolo Paulo nos narra em I
Coríntios 14:25, em que ele diz que o não-crente presente, “lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre nós”. Aleluia!
Sola Scriptura!
*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 22ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.
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